Dizem os antigos que “a cidade de Santo Tirso de pequenina tem graça, tem um chafariz no meio, que dá de beber a quem passa”. As gentes do presente podem continuar a afirmá-lo, acrescentando o facto de a cidade presentear os conterrâneos e demais com um festival de 3 dias intitulado de St Culterra, uma mistura de peças de teatro amador, feira alternativa, bandas para todos os gostos (mas dirigidas preferencialmente a um público alvo jovem) e folclore.
Decidi ir conhecer o festival e na companhia de alguns amigos fui até ao belíssimo Parque da Rabada (sim, podem fazer trocadilhos com o nome!), um espaço verde perdido no meio da urbanização. Felizmente que Santo Tirso preserva alguma ingenuidade ambiental, apesar do rio Ave ser uma mostra da acção nefasta do Homem. O espaço é bastante agradável e reúne as condições para a concretização de eventos desta natureza.
Aquando da chegada dirigimo-nos ao palco 1, onde decorria o concerto de B Fachada. Embora estivesse patente o toque poético nas canções apresentadas e o ambiente intimista, devo confessar que não me impressionou, pelo que optámos por dar um passeio pelo parque. Estava com algum receio de que o evento fosse um fiasco porque a atmosfera humana estava fria e rarefeita. No palco 2 começou o concerto de Falei por Falar, uma banda de garagem (?), à procura de um equilíbrio entre cantar em português e um som mais pesado. Embora não seja muito um género musical do meu agrado, considero que o show apresentado foi consistente e que conseguiu cumprir a sua missão. A jogar em casa, dado que alguns dos elementos (pelo menos os que reconheci) cresceram na santa terrinha devo referir que já se avistava mais pessoal, o que me foi enchendo de confiança. Foi um momento agradável!
Regressamos ao palco 1, onde Tiguana Bibles lutou contra o tempo, apresentando um espectáculo tão noir quanto a peruca utilizada pela vocalista e tão rainbow quanto o seu vestido cheio de folhos. Algures entre Dum Dum Girls e Vivian Girls e com um humor negro bastante apimentado, a sensualidade dúbia da intérprete conseguiu aquecer o ambiente e criar um clima amistoso.
Seguir-se-ia o ponto alto da noite, a actuação de Noiserv no palco 2. Com um ar tímido e uma simplicidade trepidante deu início à sua performance com o tilintar de uma caixa de música. Consegui ver a reacção do público que pareceu despertar para o que iria ali acontecer e retive a simples frase “Começou bem”. Acho que David Santos conseguiu reunir algumas das condições raras para que o público consiga apreender a emoção que se encontra por detrás do universo que criou e que transpira através das letras, das melodias e do nervosismo latente nas suas palavras e gestos. Foi mágico… Convenceu-me! Para além disto tudo mostrou uma extrema acessibilidade na venda personalizada do seu material discográfico, olhando para cada uma das pessoas que pedia um autógrafo e escrevendo coisas como “ Jlá, Obrigado por gostares. Abraço”. Convido a apreciarem o seu trabalho. Comecem por “one hundred miles from thoughtlessness” e viajem até ao ep “A day in the day of the days”, disponível em optimus discos. Valerá bem a pena!
E a noite pairava no parque, juntamente com o frio característico da proximidade ao rio em pleno Agosto e no palco 1 aguardava Rita Redshoes, que se encontrava de sapatos amarelos. Digo aguardava, porque para mim o espectáculo poderia perfeitamente ter acabado com Noiserv. A Rita fez piada a propósito da cor dos sapatos, fazendo referência à vocalista dos Tiguana Bibles, que estava de sapatos vermelhos, dizendo que “as raparigas costumam fazer destas coisas, trocar as voltas”. Tratou-se de um espectáculo bem pensado, por onde foram deambulando as músicas que passam na rádio e que fazem de Rita uma das intérpretes femininas portuguesas mais promissoras. Penso que só faltou maior participação por parte do público, mas acho que aí se notou bem alguma da rigidez que nos caracteriza enquanto tirsenses.
St Culterra foi uma agradável surpresa, só espero que nos continuem a surpreender em próximas edições. Foi uma noite fria, mas que aqueceu o pensamento.
Texto: Pilgrim
Fotos e Vídeos: Miguel Ferreira
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Rita_fonseca
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http://twitter.com/miguelf3d Miguel Ferreira
