Se o morrer dos anos 90 marcam o nascimento de movimentos a proliferar pela primeira década do milénio, e mais além, um dos que se pode ter como identitários, a par com o post-rock num nível diferente, é todo o que o nome Indie abrange. Divide-se entre funções como género, sub-género ou até, ironicamente, como tipo de editora musical, mas independentemente do improvável resultado num debate sobre o que “Indie” designa, conseguem-se identificar pioneiros e momentos chave de uma das marchas mais reconhecidas no presente musical. Posto isto não é difícil conceber que “The Suburbs tinha uma complicada tarefa em mãos.

Lançado a 2 de Agosto, “The Suburbs” é algo que melhor se percebe uma vez questionado o que caracteriza Arcade Fire. Apesar da alegre abertura veiculada pela faixa titular, os acordes ritmados pelo inúmero de instrumentos rapidamente se afundam nos ecos e variações de carga, sendo assim um resumo em si mesma do álbum: Uma viagem alternada entre o peso emocional remetente a “Funeral” e a energia inigualável, enaltecida em ”Neon Bible“.
Apesar de não se alongar consideravelmente mais que as duas prévias, a terceira instalação da banda canadiana impõe uma narrativa, uma coesão de uma experiência crescida, fruto dos interlúdios e a graduação suave entre polos, ou mesmo em saltos abruptos, a noção de que pertencem onde estão. De “Ready to Start“, por “Rococo” a “Empty Room” cedo afirma-se que a fórmula para a música da banda em questão mantém-se a que os construiu, o singleMonth of May” desde Junho que remete os fãs a “The Well And The Lighthouse” do álbum de 2007, e outras que ditam um reaparecer do que antes apaixonou, revigorado e aperfeiçoado, nunca caindo na redundância e soar gasto.
Se existe algo a condenar é a falta de impacto no que se pode agora considerar tradição em Arcade Fire: O cair da cortina. Relembrando “In The Back Seat” e “No Cars Go” como chaves de ouro em álbuns consecutivos, existe uma sensação semelhante mas distribuída por três faixas, sendo a terceira e última um reprise de classe que fecha o circulo com a já mencionada faixa de abertura, mas nenhuma delas tão marcante como as instâncias dos álbuns anteriores.

Em suma, “The Suburbs” compõe-se como um marco de extrema relevância a vários níveis, incluindo o do respeito pelo que os fãs depositam e, a longo prazo, uma exibição de auto-confiança, evolução e consistência, agora estabelecidos como exemplo a seguir dentro do género, impostos como dificilmente se viu desde Death Cab For Cutie e o álbum “Transatlanticism. Uma mensagem de mensagens entregues com poder e determinadas a permanecer.

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