Comprei finalmente um Moleskine Music Journal. A compra mais inútil dos últimos tempos, andei algum tempo a dizer. Finalmente percebi a sua utilidade. Organização. Essa é a utilidade deste Moleskine. Para pessoas maniacas com a organização como eu, aqui têm o instrumento perfeito para organizar a música ouvida. Ou lida, como acontece muitas vezes.
Foi o que aconteceu com os Memoryhouse.
A ler o primeiro número da revista Mojo francesa, a crítica ao álbum The Slideshow Effect deixou-me curiosa para ouvir esta banda. Canadianos, primeiro álbum depois do EP The Years, Evan Abeele: Compositor, Denise Nouvion: Fotografa e cantora, dream-pop (Beach House, Young Lagoon) – foi o que notei debaixo de Memoryhouse – The Slideshow Effect, na primeira blank page do meu novo Moleskine.
Nunca mais me lembrei de ir ouvir este álbum, até hoje, que abri novamente este pequeno caderno preto para colar nele um bilhete de concerto. E ao escrever o nome da banda no Spotify, percebo que o álbum tem uma capa lindíssima, facto que não me lembrava da revista. E a primeira música, Little Expressionless Animals, começa a tocar e percebo que os Memoryhouse são mais do que aquelas palavras que notei.
Os Memoryhouse não inventam nada de novo. Não esperamos deles uma revelação musical ou um mergulho numa sonoridade desconhecida. Soa, inicialmente, a algo já ouvido, uma espécie de déjà-vu.
A dream-pop tem-nos sido revelada por várias bandas, Memoryhouse são só mais uma. Mas mais uma daquelas boas, que desejamos ver ao vivo para sermos transportados para aquele mundo que só existe nos sonhos, aquela nuvem doce e ligeira. Esse lado sonhador e puro é uma constante durante todo o álbum, ainda bem que assim é.
Não há nada que distinga Memoryhouse dos outros grupos do género, mesmo se o álbum está longe de ser mau. A magia da dream-pop está lá, bem feita, bem construída na fórmula necessária (guitarras em acordes claros, sintetizadores na medida certa, voz constante e equilibrada) e mesmo que não nos revelem nada de novo, merecem ser ouvido. Nem que seja para se ter uma boa desculpa para se sonhar acordado.
A ouvir: “The Kids Were Wrong”, “Heirloom”, “Kinds of Light”
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